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A vala na estrada para Jericó: por que a maturidade espiritual é a primeira responsabilidade de um líder

Por Ryan Foley

Todo líder conhece essa parábola. Um homem é espancado, roubado e deixado à beira da morte na estrada que liga Jerusalém a Jericó. Um sacerdote passa por ele. Um levita passa por ele. Então, um samaritano — um homem que tinha todos os motivos sociais para seguir em frente — para, atravessa a estrada e faz os curativos nas feridas.

Costumamos contar essa história como uma lição de compaixão. Mas olha de novo quem é que faz não Pára aí, e a história ganha um tom mais incisivo: uma lição sobre liderança.

Aqueles que deveriam saber melhor

O sacerdote e o levita não eram estranhos a Deus. Eram líderes religiosos, homens cuja vocação consistia inteiramente em representar Deus perante Seu povo. Se alguém deveria ter reconhecido o homem ferido como uma oportunidade de amar, eram eles. E, mesmo assim, passaram direto por ele.

A Bíblia não conta quais foram as desculpas deles, mas dá pra imaginar: pureza ritual, compromissos, os riscos da viagem, a ideia de que alguém mais ia cuidar disso. Seja qual for o motivo, o diagnóstico mais profundo é o mesmo. Eles estavam fechados para o homem na vala porque, naquele momento, estavam fechados para Deus. Um coração que não foi moldado no amor a Deus não gera espontaneamente amor ao próximo, nem mesmo em alguém que ocupa um cargo religioso, nem mesmo em alguém que deveria saber melhor.

Essa é a parte complicada pra gente que lidera. Posição não é a mesma coisa que formação. Um título, seja padre, levita, empresário ou CEO, não garante a vida interior que nos torna capazes de perceber a pessoa sangrando à beira da nossa própria estrada.

O amor do samaritano foi uma resposta, não uma iniciativa

O samaritano é o forasteiro da história, aquele com menos prestígio e menos motivos para se sentir na obrigação de ajudar. E, mesmo assim, é ele quem tem o coração livre o suficiente para enxergar, se comover e agir.

Essa é a ideia principal para a maturidade espiritual: a compaixão do samaritano pelo próximo não foi seu primeiro amor. Foi uma reação.

A Bíblia não dramatiza um momento de esforço moral em que ele se convence a ajudar. Ele é o tipo de homem que ajuda, porque seu coração já pertence a Deus, e o amor ao próximo brota dessa pertença quase que automaticamente. Ele ama o próximo porque, antes de tudo, ama a Deus. O segundo vem depois do primeiro, assim como a água desce a ladeira.

Essa é a ordem que o próprio Cristo nos dá: ama a Deus com todo o teu coração, mente e força, e o segundo mandamento, o amor ao próximo, decorre disso. Não é o contrário. Não chegamos ao amor a Deus tentando amar mais as pessoas. Chegamos ao amor autêntico pelas pessoas quando, primeiro, nos entregamos ao amor de Deus, que então transborda.

A maturidade espiritual, então, não é, antes de tudo, um conjunto de comportamentos virtuosos que a gente tem para com os outros. É o estado de um coração tão voltado para Deus que perceber e cuidar da pessoa que está na vala se torna uma reação natural — não um ato de vontade, mas um ato que brota espontaneamente.

O que isso significa para os empresários

Se você é um empresário ou líder católico, essa parábola não é só uma reflexão bonita à margem do seu trabalho. É uma descrição do seu trabalho.

Te confiaram pessoas: primeiro seus funcionários, depois as famílias deles e, além disso, a comunidade com a qual sua empresa se relaciona. Cada um deles, em algum momento, vai se ver em alguma situação difícil: esgotamento, dificuldades financeiras, um casamento em crise, uma crise de fé, um período de fracasso. A pergunta que a parábola te faz não é “você tem compaixão?”. É “você tem maturidade espiritual suficiente para que a compaixão seja sua reação natural, em vez de algo que você precise se convencer a fazer?”.”

O sacerdote e o levita não eram homens maus. Provavelmente estavam ocupados, distraídos e cheios de desculpas que pareciam legítimas. Isso deveria nos incomodar mais do que se fossem vilões. Significa que o perigo não é a malícia; é uma vida interior que não foi examinada. É possível administrar uma empresa, liderar uma equipe e até mesmo ir à missa, mesmo assim passando direto pelos feridos, porque nossos corações ainda não se converteram o suficiente para percebê-los.

O líder que fez esse trabalho interior, que tem uma vida de oração de verdade, um diretor espiritual e o hábito de examinar onde ainda está fechado para Deus, torna-se, quase sem esforço, o tipo de líder cujos funcionários sentem que são cuidados, em vez de apenas gerenciados. Esse cuidado não é um programa que você instala. É o fruto de um líder que primeiro foi amado por Deus e está simplesmente repassando esse amor. Quando esse cuidado autêntico está presente — não uma gentileza fingida para conseguir algo, mas um cuidado de verdade —, ele costuma gerar algo incrível em troca: pessoas que se dedicam de corpo e alma ao trabalho. Sua criatividade, sua iniciativa, seu esforço extra. Não porque você pediu, mas porque elas também estão respondendo ao fato de terem sido genuinamente vistas.

O perigo de uma consagração que fica só no papel

Vale a pena parar pra pensar nisso, porque é exatamente essa a armadilha sobre a qual a parábola nos alerta, e isso pode acontecer com qualquer um de nós que decidir dar o passo de consagrando nosso negócio ao Sagrado Coração de Jesus.

A consagração é um ato real e bom. Mas o sacerdote e o levita também eram homens consagrados. Eles já tinham se entregue a Deus de forma formal e oficial, e isso não os impediu de passar direto pelo homem na vala. A consagração não gerou automaticamente uma mudança interior. É perfeitamente possível consagrar uma empresa e ver a empresa — e o dono — continuarem exatamente como eram: ainda fechados em si mesmos, ainda passando direto pelos feridos, ainda administrando as coisas da mesma forma de antes, só que agora com um certificado na parede.

Esse não é o objetivo de O Jeito Dele no Trabalho. Nosso objetivo não é acumular consagrações da mesma forma que alguém colecionaria assinaturas em um formulário. Uma consagração que nunca se torna um desejo vivo e interior de amar de verdade como Cristo ama é uma consagração que ficou pela metade. É como o sacerdote e o levita, só que com a papelada em dia.

O verdadeiro objetivo é transformação: empresas que passam por uma transformação profunda, empresários que passam por uma transformação profunda, de modo que o próprio empresário se torne o Bom Samaritano, um cara que está sempre pronto a atravessar a rua, sempre atento às dificuldades das pessoas ao seu redor. Quando isso acontece, a empresa deixa de ser apenas um negócio que por acaso pertence a católicos e se torna um ato de caridade, um meio de caridade e um instrumento por meio do qual Cristo alcança os funcionários, suas famílias e a comunidade.

Nada disso justifica a mediocridade no próprio trabalho. A empresa ainda precisa se destacar: ser bem administrada, lucrativa e competente. Mas essa excelência serve a algo maior do que ela mesma; ela existe para que a empresa possa se destacar na caridade. A excelência nos negócios é o meio. A caridade é o fim. Se você inverter essa ordem, pode ter uma empresa muito bem administrada que, espiritualmente, ainda nunca cruzou a rua.

Uma responsabilidade que dá alegria, não um fardo

Nada disso deve ser interpretado como culpa. O chamado à maturidade espiritual não é mais um item na lista de tarefas da liderança, enfiado entre avaliações trimestrais e revisões orçamentárias. É uma responsabilidade alegre, alegre porque é exatamente para isso que fomos criados, e porque um coração convertido a Deus é um coração mais leve, não mais pesado.

Mas ainda assim é uma responsabilidade, e uma que a gente precisa assumir, em vez de achar que já a temos. Isso significa:

  • Desejando maturidade espiritual, em vez de tratá-la como algo opcional para quem tem “empregos comuns”.”
  • Procurando um diretor espiritual ou confessor que consiga enxergar nossos pontos cegos.
  • Analisando, com sinceridade e regularidade, as áreas específicas em que ainda somos egoístas, fechados para Deus ou, discretamente, colocamos outras prioridades — como ambição, conforto ou controle — à frente Dele.
  • Vou fazer um retiro. Se você quer um próximo passo concreto, é esse aí. Muitos líderes descobriram que os Exercícios Espirituais de Santo Inácio são o catalisador mais profundo para esse tipo de conversão — não um fim de semana de inspiração, mas um encontro contínuo e estruturado com Deus, que consegue revelar exatamente onde ainda estamos fechados. A HWAW vai oferecer um desses na Geórgia no mês que vem: hwaw.com/retreat. Se esse horário ou local não der certo, procura um retiro parecido perto de você, com um diretor de retiro bom e experiente. Vale a pena procurar especificamente pelos “Exercícios Inacianos”.

A equação é simples de explicar, mas leva a vida inteira pra ser vivida: o amor a Deus e, portanto, o amor ao próximo, equivalem à maturidade espiritual. E a maturidade espiritual não é só um complemento legal pra liderança; é praticamente um pré-requisito. Qualquer um pode ter um cargo. Só quem tem um coração convertido é que dá pra confiar que vai perceber o cara na vala e realmente atravessar a rua.

Incorpore a fé ao seu dia de trabalho — todas as manhãs

O Evangelho do dia e uma reflexão sobre o mundo dos negócios, todos os dias de manhã — pra que seu dia de trabalho comece com Deus no centro. De graça, todos os dias.